02 maio, 2010

Velhas letras.

Olá, caros e raros leitores!

Se por qualquer razão constituir ofensa, perdoem minha ausência por aqui. Se é que a justifica, tal ausência tem-se dado pela falta, a mim, da presença simultânea dos elementos "tempo", "inspiração", "computador", "conexão", e, por que não, alguns outros.

E para estabelecer meu duvidoso retorno, vim postar aqui um de meus textos antigos, que encontrei, em meus backups, nesta fria madrugada que prenuncia um adorável inverno. Na próxima postagem, cuja data não sei precisar, eu escrevo, de fato, algo. Até lá, ou até a postagem de outro irmão-de-cafeína, fiquem com meu Poema Sem Título:


Como um projétil feroz

Tu me cortas e me atravessas

E pela pungente dor, sou tomado:

A dor de ter vida esvaída

De saber de mim tua distância

A dor de ter o espírito dilacerado...

Por uma verdade incontestável.

E o que farei, agora que nada mais sou?

Como te encontrarei?

Ver-te-ei, sim, de perto

Mas tocar-te não poderei...

O coro da agonia de meu espírito ecoa

No meio da noite infinita...

Mas chega a ti mudo, ínfimo

E não o ouves.

E assim, vagarei a eternidade

Esperando, deste mundo, a piedade

À qual suplico que me venha buscar

E me leve até outro lugar

Inexistente, sim,

Mas onde eu não precise te amar.

12 abril, 2010

Conversa de café...

Café com sangue? Sangue no café? Não soa muito apetitoso, nem mesmo saudável, mas aqui estou eu, mais um cafeinado, e vampiresco, falando sobre? Vampiros ou café? Afinal, que diabos... Nunca conheci um vampiro que conseguisse tomar café, imaginem só o perigo, café com alho! por outro lado nunca conheci "outro" vampiro, então deixemos por isso, eu tomo café!

Mas falando em café, porque café, como o próprio café é algo maravilhoso de se discutir... Parei para ponderar, sobre? Conversando com o seu café! Uma sensação deveras desconhecida, mas um assunto palpitante não concordam? Já pararam para pensar como o café se sente? Sendo moído, torrado, talvez até mesmo pisoteado por aqueles que não descobriram as últimas gerações de invenções tecnológicas, ou as mãos...

- No, please, don't drink me, I'm not good for you! Ihave three little grains! - Café importado dos Estados Unidos, nunca discuta com eles, tem muito medo de virarem bebida, você pode acabar ficando com pena, e deixando ele viver, e aí? Como deliciar-se com a sua bebida favorita se não tem coragem de utilizar a matéria prima de forma adequada.

- Ô mano, sai fora! Vai beber leite da vaca! - Café metido à besta, nem tenha pena deste, mas cuidado ao engolir, sempre tendem a lhe atacar tentando dar-lhe uma indigestão, recomendado apenas aos verdadeiros apreciadores (assim os considero, afinal, lendo um blog sobre café estão).

- Per favore, sono solo un povero caffè - O café italiano, uma delícia, uma verdadeira delícia! Mas cuidado, no ínício ele pede com educação, mas como eterno negociador, com o tempo ele vai ficando meio "forte"!


Quantas mais conversas de café, ou com café será que seriam possíveis? Só sei, que falando ou não falando, é tudo café, e por isso a vida vale a pena!

Insônia, de novo.

Novamente, a falta de sono me mantém acordado, até um horário indefinido.
O que fazer? Eu tento escrever coisas. Assim como essa que vocês estão para ler.
Ou já estão lendo? Nossa, isso foi rápido.
Infelizmente eu estou sem idéias. E sem sono.
E o café, nesse momento, infelizmente não é bem-vindo. Mas eu aceitaria um copo de leite morno, se não for pedir demais.
Olho para o relógio, percebo que estou acordado ha duas horas, tentei dormir, não obtive resultados agradáveis. E encontro alguém para conversar. Mas a conversa não flui do modo como eu gostaria.
Preciso de uma distração, da última vez que eu tive insônia eu... escrevi um texto aqui.
A inspiração se foi, junto com o último gole de café da noite passada...
Tive uma idéia! Vou postar um dos meus textos que eu escrevi enquanto me indagava sobre a lua.
Aguardem! E bom café.

Memórias...

Lendo a postagem do amigo Milchkaffe, eu senti a necessidade de colocar pra fora as palavras que por muito tempo eu guardava dentro de minha mente.
As lembranças da nossa amizade nunca nos deixarão, aquelas noites à luz da lua, compondo nossas músicas, ou mesmo que só tocando notas aleatória nas cordas dos violões, difícilmente serão superadas por algum outro momento de nossas vidas.
Sim, caro amigo, o ócio e o tédio fazem com que lembremos dos velhos prazeres em escrever, mesmo que não tenhamos algo sobre o que escrever, e trazem à tona as memórias de o que, por um bom tempo, foi quase que uma rotina, mas uma rotina que nunca cansava.
O contraste do preto com o branco... com o preto e novamente com o branco de um terraço com portas de vidro, ou mesmo os fundos da distante casa de um amigo, os churrascos, as pizzas, os clássicos xis's, de vez em nunca um pastel... todos esses elementos reunídos formam a nossa amizade.
E claro, não podemos esquecer o café. Quente, amargo, doce, frio... a bebida que estava sempre presente, mantendo-nos acordados para que continuássemos as nossas atividades, as nossas composições, nossas conversas, contos e lamentos. E aqueles ouvidos que estavam sempre lá para ouvirem nossas palavras, algum dia voltarão. E quando voltarem, façamo-nos de ouvidos, para que eles sejam as bocas que nos contarão as novas histórias.
Quem dera o frio pudesse congelar o tempo, naquele instante em que o galo cantava às 4 horas da manhã, ou então naquele momento de risada ao lado da já quase abandonada churrasqueira... Mas isso são preces que não serão ouvidas... O que nós podemos fazer é esperar que os camaradas retornem, para que possamos, mais uma vez, assar uma boa peça de carne, tomar um café e soar os violões.

09 abril, 2010

Vivendo... e esquecendo. (E um diálogo)

Eis aqui meu segundo post depois de apoximadamente 8 mêses atrás, quando ousei dizer que o blog seria atualizado em uma base semanal... bah!

Bom... como Coffeesage disse, "o homem foi cuidar do seu labor". Acabam as férias e em um momento as semanas estão cheias! Universidade para uns aqui, EsPCEx para uns lá e Colégio para mim...
Declaro então este blog oficialmente inconstante. (Não que alguém leia com freqüencia, até postagens são raras aqui.)

Mas por algum motivo estou aqui... - Qual será ele? - me pergunto.
- Sou eu. - Diz o Ócio.
E o corpo e a mente quase que em coro riem com ironia:
- Ah, ah, ah.
- Ha, ha, ha.
E o Ócio vai embora sob o pesado olhar das Extra-Curriculares... (e o Tédio passeia pelo jardim).

...silêncio...

- Como tem esfriado ultimamente! - A Obviedade quebra o gelo.
- Verdade. - Concorda a Razão. Depois prova seu café.
- Quente.

Sim, tem esfriado... acho que esse é o verdadeiro motivo d'eu estar aqui. O frio me lembra das coisas boas: dos amigos, um vinho quem sabe... o café e o chimarrão (erva-mate argentina, por favor!), um cobertor e um violão, dois pares de meia e sobretudo. Todas essas coisas que sem eu não me sinto bem. Tudo reunido em um terraço com portas de vidro e um chão xadrez (azulejo branco, azulejo preto, azulejo branco, azulejo preto...) onde sentávamos do lado de fora e inventávamos nossas próprias canções entre um gole e outro de café, enquanto o inverno nos acinzentava, a lua nos acariciava, e a noite nos iluminava...
Sim... essa época está chegando outra vez... e eu espero que o frio dessa vez congele não só nossos dedos das mãos e pés, mas o tempo.

19 novembro, 2009

Lugar nenhum

Salvador, 27/10/09 – 14h 15.

LUGAR NENHUM

Se posso dizer que há um lugar onde me sinto totalmente livre é num aeroporto. Não afirmo que seja diversidade de culturas por que aqui só tem galera local. Gosto muito mesmo do Guarulhos/ Congonhas/ Galeão porque tenho impressão de haver mais culturas por lá. Mas isto não é o principal da sensação. O melhor é não saber quem é quem nem de onde é o quem. Nem quero saber quem eu sou. Fico livre até de mim mesma.
Isto tudo começou mesmo como uma viajem intimista. Algo tanto existencial mas, longe da filosofia, me encontro logo é na antropologia. O fato de aqui passarem todos e não ficar ninguém, o ser local de passagem, o ser um não-lugar é que faz de mim um ninguém, um alguém, um não-ser, um não-eu, eu não!
Intrin-secamente, a filo anda com a sócio, psico, por isso tomo um café no Tabuleiro e adoço com açúcar embalado em Taboão da Serra.
A viagem começa sempre neste intervalo, a contra-senso da palavra, infinito. Começa no check-in e acaba no embarque mas nunca chega seu fim. Intervalo longamente mínimo em que o filme do passado se projeta na película da minha própria pele. As membranas vibram, as pestanas aceleram e eventuais umidades brotam e cumprem seu papel. E a dimensão do intimo se esvai diante da visão das naves em volta. Vou entrar numa delas: pássaro de aço. Me leva em duas asas, me tira do chão, concretiza meu vôo que começa nas idéias e acaba no coração. Como o intervalo que passo em lugar nenhum em direção ao céu do meu ser, um não-ser.

14h30
PS: tomando o café.

Por Dalila, grande amiga =D

01 outubro, 2009

Corpos: Dispositivos Obsoletos

Pensamentos e sentimentos. São dois fenômenos (ou um só?) ocorrentes no interior de qualquer ser humano. Tê-los pode, de certo ponto de vista, definí-lo como um ser, de fato, "humano".

Independentemente do canto do espaço físico em que vivemos, sentimos e pensamos coisas. Podemos nos questionar se nossos corpos, incluindo nossos cérebros, são "reais" ou não, podemos nos questionar se o universo inteiro que nos cerca é real. Mas podemos ter a certeza de que nós, em algum lugar, ou em algum outro conceito que talvez não sejamos capazes de conceber, existimos, já que nossos pensamentos e sentimentos nos definem e definem para nós o que há a nossa volta.

"Eu não sei se tudo o que me cerca fisicamente é real, mas sei que eu sou, pois 'eu' penso coisas, sinto coisas, e interajo ou não com este universo".

Esta é minha interpretação do "penso, logo existo", de... huh... Descartes, eu acho. A propósito, nunca li nada dele. =P


Bem, é verdade que sentimos e pensamos coisas, mas estes sentimentos e pensamentos são limitados a nós. No entanto, sabemos existirem outros seres parecidos conosco em nosso universo. Eles são seres humanos, e o principal fator que nos permite diferenciá-los de outros seres é a linguagem falada e/ou escrita.

Esse uso de linguagem advém da necessidade humana de se comunicar com os semelhantes; a comunicação é, sob esse ponto de vista, a tentativa de um humano transmissor da mensagem fazer com que o receptor pense e/ou sinta aproximadamente a mesma coisa que o primeiro pensou e/ou sentiu.

Porém, nossos sentimentos e pensamentos são, como dito anteriormente, limitados a nós, e há uma barreira física entre um espírito humano e outro, sendo essa barreira próprio espaço e a matéria nele contida. Precisamos, para que a mensagem chegue ao "dispositivo de interação com o universo" chamado corpo do interlocutor, e em última instância a seu espírito, manipular o espaço e a matéria que deles nos separam, através de um código inteligível tanto a transmissor quanto a receptor. Percebam, aí, a quantidade de perdas por tradução que ocorrerá nesse processo: nosso espírito entende uma linguagem muito mais complexa do que podemos transmitir fisicamente, através de palavras escritas ou faladas, ou gestos, até outras pessoas.

É como programar um computador, processo para o qual precisamos abstrair todos os pensamentos de alto nível de complexidade que temos para o nível de operações matemáticas, com pouca complexidade e simples de serem entendidas pelo computador. De modo análogo, a comunicação é como programar os pensamentos e/ou sentimentos de um interlocutor; no entanto, dada a diferença abismal entre a complexidade de pensamentos/sentimentos e meras palavras, é muito maior a perda por tradução na comunicação humana do que a tradução das ideias de um algoritmo para a linguagem lógica/matemática envolvendo apenas números binários de um computador.

Enfim, nossos corpos são dispositivos de comunicação obsoletos e insatisfatórios, se os compararmos com aquilo de que precisaríamos para uma comunicação perfeita e sem perdas entre seres/espíritos humanos. Quanto mais precisamente queremos transmitir uma mensagem, mais tempo perdemos selecionando palavras, expressões e gestos e os colocando cuidadosamente, e maior parte de nossas vidas se vai. Quanto maior a distância física que queremos que nossas mensagens atinjam, maiores as abstrações e cálculos necessários; por exemplo, a necessidade de Internet, telefone e televisão é criada, e a manipulação cada vez mais a nível matemático do universo se torna necessária a fim de criarmos tais tecnologias.

Quão bom (e menos dispendioso) seria se as pessoas pudessem estar todas juntas, vários espíritos podendo comunicar-se sem a necessidade de um espaço físico?

02 setembro, 2009

Gostaria de entrar para uma xícara de café?

Saudações. Através deste faço nossa apresentação, pois recentemente integramos o grupo que vos escreve, caros leitores, e isso é tudo que precisam saber. Quem nós somos não importa, o que importa é que somos.

Navegando por entre as postagens e comentários deparamo-nos com um bastante interessante do próprio Sir Night, em "Tempestade numa xícara de café..." onde comparava o resfriamento do café com o esquecimento do blog pelos leitores. Ao visitar o blog, percebemos que a última mensagem fora deixada em abril, ora: o café foi deixado a esfriar pelos próprios que o passaram! O que é uma pena, pois fora um dos melhores que já degustamos em um bom tempo. Propus então a Sir Night que fizessemos um novo bule, e que não deixassemos este esfriar. Repetir a dose.

Achamos interessante a idéia de colocar em pauta um tema por semana. Cada integrante do grupo daria sua opinião e ao final teceríamos uma espécie de conclusão. E que assim seja.
Nos despedimos para voltar, para escrevermos mais e quem sabe aliviar nossos remorsos, desta vez não com uísque, mas em um degradê do doce e bege café com leite ao negro café tão amargo quanto o malte envelhecido.

Tomando um pelo outro.

Salve! Aqui é o Coffeesage e eu só tomo café sem açúcar.

Eu estava postando como Sir Night, por um trocadilho com o nome do blog, tinhamos a Cherry, que saiu do blog, então isso não fazia mais sentido, escolhi um nome mais legal.

Coffeesage, vem de 'Coffe Sage', o sábio do café. Como no filme 300 os 'Sages' eram sábios que transmitiam as mensagens do oráculo.

"Não deixar o café esfriar" ... bem, podemos interpretar isso de uma maneira interessante.

O café frio espera sobre a mesa,
Servido numa xícara com flores
Abandonado por motivo das dores
Que o homem evita, com certeza.

Ele foi cuidar do seu labor
Ocupou a sua mente
E o seu companheiro, uma vez quente
Já esfriou, para lembra-lo de sua dor.

E num único gole,
O conteúdo gelado do recipente desce pela garganta.
Que sacrifício, pecado mortal, quase não aguenta.
Fez isso, tomou o café frio, para que pudesse
Encher a xícara com um café quente, que agora ele merece.

22 abril, 2009

Insônia

Não consigo dormir.
O motivo? Não me pergunte.
Se soubesse, já teria resolvido-o.
Preciso descobrir o motivo.
Ou achar uma maneira de dormir.
Vou até a cozinha.
Geladeira, microondas, vaso de Dewer...
Escolho a terceira opção.
Abro um de cor muito escura.
Preto.
Sinto um cheiro muito tentador.
O cheiro de uma substância forte,
A infusão prometida.
A tentação é muito forte.
Sim. O cheiro é de Café.
Sei que, se eu degustá-lo,
ficará mais dificil ainda alcançar o tão desejado
SONO.
"Qual o problema?", perguntam vocês, "você já não consegue dormir..."
A verdade me esmaga contra minha xícara.
A xícara do Café.
Sua imagem está gravada nela, e
Seu nome também.
Lentamente levo o recipiente aos meus lábios.
Quando este os alcança, o liquido preto, quente e doce
escorre pela minha garganta.
Existe sensação melhor?
Não sei dizer. acho que não.
Termino a xícara.
Acordo suado, às 2:03 da madrugada sem saber o porquê.
Não consigo dormir.